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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Coronel Affonso IV: Toniquinho JK

Em 1952, tanto Juscelino Kubitschek como Israel Pinheiro, deputados federais, já defendiam a interiorização da capital do Brasil. Seria em Minas Gerais. JK defendia que o local fosse no Triângulo Mineiro, Israel preferia mais a Oeste. A ideia não era simpática aos cariocas, que perderiam o status de Distrito Federal.

Foi no interior de Goiás, no dia quatro de abril de 1955, durante a campanha para presidente da República, que a proposta de construir a capital no Planalto Central ganhou força. Em Jataí, coube a um jovem, Toniquinho (Antônio Soares Neto), fazer a pergunta sobre a construção da nova capital.

Pergunta feita, JK respondeu que sim: cumpriria a Constituição Federal, que determinava a interiorização da capital do Brasil. Tudo isto é relembrado pelo coronel Affonfo Heliodoro dos Santos, 94 anos, em conversa com o blog. Junto com a pergunta, alguém lembrou que o sonho de Dom Bosco também poderia ser traduzido como a construção de uma nova cidade no coração do Brasil. Foi a união do fato popular com a mística religiosa.

O plano de governo de JK durante o ano de 1955 tinha 30 metas e um desafio: a construção de Brasília. Eleito pelo PSD, assumiu em 1956 e deu início às obras.

De Toniquinho, poucos sabem o destino. Ele é um próspero advogado de 75 anos com escritório em Goiânia e em Jataí. Seu cartão de visitas tem um selo com a imagem do presidente Bossa Nova e ele passou a assinar Toninquinho JK.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Coronel Affonso III: Zé Aparecido teve visão

Sobre os governadores que passaram por Brasília o coronel Affonso Heliodoro dos Santos prefere não fazer comentários. Mas faz uma ressalva: “o Zé Aparecido teve visão, conseguiu o tombamento de Brasília como Patrimônio Cultural da Humanidade e com isso preservou a cidade”.

Também elogia Elmo Serejo, que foi prefeito de Brasília. “Ele fez uma grande obra, que é o Parque da Cidade”. E adverte: “Brasília está sendo ameaçada pela expansão imobiliária”.

Aos 94 anos de idade, o coronel dá expediente diário no Instituto Histórico e Geográfico de Brasília, que preside. Antes, coordenou o Memorial JK por 16 anos.

Coronel Affonso II: o projeto da W3 era outro

O coronel Affonso Heliodoro dos Santos era um verdadeiro coringa no governo de Juscelino Kubitschek. Ele acumulava os cargos de subchefe do Gabinete Civil da Presidência da República, chefe do Serviço das Metas Econômicas do Governo e chefe do Serviço de Interesses Estaduais.

Quando JK foi para o exílio em Paris, em 1964, o coronel permaneceu no Rio de Janeiro, ia visitá-lo eventualmente. Mas quando dona Sarah voltou para o Brasil para ficar ao lado da filha, Márcia, que estava doente, o coronel ficou dois meses com JK para não deixá-lo sozinho.

“Sinto muitas saudades daquele tempo, era uma época, mais romântica, mais saudável”, revela o coronel, que hoje preside o Instituto Histórico e Geográfico de Brasília.

Ele está casado há 53 anos com Conceição, a quem chama de Sãozita, tem três filhos, 11 netos e seis bisnetos. Completou com 94 anos em abril, cumpre expediente diário no Instituto e tem uma agenda cheia de compromissos. Esperamos uma semana para entrevistá-lo.

Cercado por livros, fotos, cartas e documentos sobre Brasília, o coronel Affonso recorda que a avenida W3 não era para ser assim, como a conhecemos. “A frente deveria ser na W2, o comércio deveria estar voltado para lá. A W3 seria os fundos, por onde circulariam os carros. Mas o Israel Pinheiro abriu um escritório lá, o acesso pela W2 ainda não estava pronto, ele abriu uma porta para a W3 e a partir daí o projeto foi alterado”, revela a testemunha da história de Brasília. Isto foi na altura da quadra 508 Sul.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Coronel Affonso I: o telegrama de JK



Um dia depois de deixar o Brasil, com seus direitos políticos cassados, o presidente Juscelino Kubitschek desembarcou em Madrid para fazer uma conexão para Paris. Da Espanha enviou o seguinte telegrama para o coronel Affonso Heliodoro dos Santos:

“Affonso, Deus te pague.” Madrid, nove de junho de 1964.

Em econômicas palavras, disse tudo.

Um mês depois, já em Paris, JK enviou uma afetuosa carta ao coronel, onde revelava que sentia saudades da rotina do trabalho. O coronel era o primeiro a despachar com o presidente, antes das seis horas, e o último a se despedir, sempre depois da meia noite.

“Juscelino dormia pouco, cinco horas no máximo. E eu menos ainda”, relembra o coronel para logo acrescentar: “Tinha que ser assim, se não Brasília não ficaria pronta em cinco anos”.

Uma revelação escapa enquanto relembra o convívio com o presidente JK: “sonho com ele todas as noites”.

O coronel Affonso Heliodoro dos Santos, 94 anos, nasceu em 16 de abril em Diamantina- um Domingo de Ramos, e ficou órfão de pai aos sete, justamente no dia de seu aniversário. Na data em que o pai partiu para sempre o menino Affonso começou a trabalhar por total necessidade. Eram sete crianças que a viúva precisava criar.

O coronel nos recebeu hoje no Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, que preside e dá expediente diário, sempre à tarde. Nesta quinta-feira o coronel nos reservou 30 minutos, porque tinha uma reunião logo após, mas acabou nos brindando com uma hora de agradável conversa.

Muitas são as recordações históricas do coronel. O blog vai publicar o resultado desse emocionante encontro ao longo dos próximos dias.