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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Notícias pelas ondas do rádio-amador de dona Lourdes




Rádio-amadora casada com o dentista Alcides Aquino Leite, Maria de Lourdes Tostes Aquino Leite deixou a pequena Caratinga (MG) porque “não gostava de cidade do interior”, queria viver em um grande centro. Nada melhor do que participar da construção da capital da República. E foi assim que o casal viajou para Brasília, em 1958, com mais quatro filhos e a japonesinha Yoka, com cinco anos, que era órfã.

Foram morar na Cidade Livre, que se transformou no Núcleo Bandeirante. A família vivia em uma casa de madeira da Segunda Avenida, 1.085, vizinha da casa da enfermeira Cacilda, madrinha do filho mais novo de Lourdes, Eduardo, nascido em 1965.

“Meu marido construiu nossa casa com a ajuda do padre Roque. O padre ia muito lá me casa, ele gostava de comer uma linguicinha frita na cachaça”, recorda Lourdes.

Dona Maria de Lourdes aprendeu os segredos do rádio-amador e pegou gosto graças aos ensinamentos de seu Luiz, pai de Mariza, esposa do vice-presidente da República José de Alencar. “Ele me ensinou tudo que sei”. Hoje, aos 86 anos, ela faz esculturas em madeira e estuda informática.

Na falta de uma agência dos Correios, o rádio-amador de Lourdes levava e trazia notícias de parentes e amigos. “Muita gente ia na minha casa mandar recados e buscar notícias dos parentes”. O esqueleto do rádio está em um canto do apartamento do casal na 307 Sul.

Alcides, 87,  tinha consultório e casa de artigos odontológicos e foi o fundador da Associação Brasiliense de Odontologia (ABO), em 1959. Entre seus pacientes ilustres está Oscar Niemeyer, que foi atendido de emergência no Núcleo Bandeirante graças a um canal inflamado. “Quando cheguei em 58 já havia uns 20 dentistas aqui”, informa Alcides. A filha mais nova de seu Waldyr (o "cara" da draga), Flávia Maria, cursou odontologia por influência de Alcides. “Ela ia no consultório e achava tudo lindo, principalmente os vidrinhos”, lembra o dentista.

Carta para a amiga Cacilda


Lourdes tem uma carta que ainda não foi entregue e que revela o afeto de uma amizade de mais de 50 anos. É um depoimento para a enfermeira Cacilda e que deve constar do livro que Horácio, filho de Cacilda, prepara sobre a vida de sua mãe. Não vamos estragar a surpresa, mas segue um trecho da cartinha:

“Conheci Cacilda em 1958...Fui morar no Núcleo Bandeirante. A poeira era tanta que os pés atolavam, tudo ficava pintado de vermelho...No meio de tudo um oásis: a casa de Cacilda, com horta e jardim...Guerreira Cacilda, enfermeira...Era solícita a qualquer hora do dia ou da noite, acompanhando o desconhecido lá ia Cacilda com seu avental branco e sua maletinha...Sempre invejei a fé de Cacilda...”