sábado, 13 de março de 2010

Ex-diretor da telefônica não usa celular


Ele nasceu em Macau, Rio Grande Norte, cidade pequena demais para um jovem cheio de ambições. Aos 18 anos de idade, Marcello Augusto Varella já morava no Rio de Janeiro, então capital do Brasil, e ansiava por algum empreendimento. Não demorou muito. Logo o irmão Ângelo, amigo de Israel Pinheiro- presidente da Novacap, lhe conseguiria um emprego, como escriturário, em Brasília, era 1957. Estava com 22 anos e havia cursado eletrotécnica no Rio.

Em pouco tempo, Marcello passou a trabalhar na empresa criada para instalar luz e telefone na nova capital. Escolheu a divisão de telefonia. Justo ele, que chegou a ser um dos diretores da empresa de telefonia de Brasília, não tem celular e nem sabe como funciona. Se tornou avesso à telefonia móvel.

Marcello conheceu o ex-presidente Juscelino Kubitschek em Brasília, enquanto supervisiona a instalação de linhas telefônicas. “JK me deu um tapinha nas costas e perguntou se o serviço ficaria pronto em tempo hábil. Ele era muito cordial e falava com todo o mundo”, recorda o ex-diretor.

Ele também é o pioneiro em Brasília no transporte coletivo. Junto com um primo, Marcello criou a Viação Planeta, que fazia a linha Cidade Livre/Rodoviária. Começou com dois ônibus e vendeu a empresa quando a frota já estava com onze veículos. Formado em Economia pela UnB, Marcello também foi professor na rede pública de ensino e no CEUB.

Diário do bebê

Três pastas em cima da mesa da sala, reservadas para nós- entrevistadoras do Cartas de Brasília, guardam o “diário do bebê”, de 1935, escrito por sua mãe, Conceição, onde ela escreve sobre Marcello e o esposo, o médico José Varella, ex-prefeito de Natal e ex-governador do Rio Grande do Norte.

Vários recortes de jornal, relatando a história da telefonia em Brasília, integram a coleção de memórias de Marcello.

No segundo casamento com a psicóloga mineira Maria do Rosário, conhecida como Pingo, Marcello tem onze filhos e igual número de netos. Aposentado, ocupa seu tempo com jogos na internet e gamão todas as segundas-feiras com um grupo de amigos no Martinica Café.

5 comentários:

  1. Faço parte desse universo! Sou uma dos 11 filhos e tenho muito orgulho de ter um pai desse quilate.

    ResponderExcluir
  2. Trata-se de uma grande figura, que me passou um aprendizado de amor, caráter, honestidade, lealdade, que me ensinou a valorizar as coisas espirituais e a ter desapego das coisas materiais. Vida longa a meu querido e amigo pai, vulgo dotô!

    ResponderExcluir
  3. Tornei-me amigo de Marcello na primeira segunda-feira em Brasília, no pimeiro minuto de gamão e do Martinica Café, em abril de 1999. Recém-chegado do Rio, injuriado por ter que deixar a Cidade Maravilhosa, Marcello me ajudou muito com a sua gentileza.

    Ele é sempre orgulhoso – com muita justeza –quando fala dos seus filhos e de sua companheira Pingo. Ouvir suas histórias faz bem a alma da gente.

    Marcello é assim, uma daquelas poucas personalidades que se destacam nesse mundo extremamente agressivo porque preservam no seu coração a essência do ser humano: a prática da gentileza.

    Espero continuar aprendedo com o mestre Marcello a ser (humano) um pouco melhor a cada segunda-feira.

    ResponderExcluir
  4. Roberto Almeida conserta:

    ... porque preserva ...

    ResponderExcluir
  5. Ei primo! Talvez não te lembres de mim: Sou Jorge Marcello Pizarro Varella,filho do Jorge Correa Varella (o Jorgito) que trabalhou contigo na antiga Telebrasilia. Tive o prazer de conviver alguns dias em tua companhia. Lembras do Sérgio Pelourinho? Aquele que gostava de jogar 'braço de ferro"?. Já se passam 40 anos. Não imaginas minha alegria de poder me dirigir a ti e agradecer tua hospitalidade quando estive por aí. Fica com DEUS primo.

    ResponderExcluir